A vermicompostagem no Brasil

1 Introdução

A vermicompostagem é uma tecnologia de produção de vermicomposto ou húmus de minhoca, iniciada no século passado, por volta de 1940, na Califórnia/Estados Unidos, quando o monge Thomas Barret pela primeira vez utilizou as minhocas para decompor resíduos orgânicos. Porém, no Brasil a utilização desses animais, com o objetivo de decompor resíduos orgânicos, iniciou na década de 70 com a profa Christa Freia Knapper da Universidade do Vale dos Sinos, São Leopoldo–RS.

Atualmente, a vermicompostagem é praticada em todo o país, independentemente do tipo de clima, utilizando-se resíduos convencionais ou naturais para as minhocas: estercos (bovino, ovino e equino), podas de grama e árvores, resíduos orgânicos domiciliares e de restaurantes. Além disso, os resíduos urbanos não convencionais ou não naturais também estão sendo utilizados para alimentar minhocas, entre eles destacam-se: dejetos líquidos de suínos; lodos de ETE (estações de tratamento de esgoto) e ETA (estações de tratamento de água); lodos da indústria de celulose e papel e laticínios.

A tecnologia está em grande expansão na Europa, Estados Unidos, Austrália, Ásia e Américas (Sul, Norte e Central).  A vermicompostagem se difundiu basicamente a partir da comercialização dos seus dois produtos clássicos: húmus (adubo orgânico – devido às suas características químicas) e minhoca viva (matrizes e fonte proteica – utilizada na alimentação, principalmente de animais domésticos).

2 Situação no Brasil

No Brasil, a vermicompostagem ainda é considerada incipiente, considerando-se os dados referentes ao número de minhocultores, a produtividade atingida nas criações e o pouco reconhecimento da atividade no cenário nacional. Existem muitas limitações que dificultam o desenvolvimento, entre as quais é possível destacar, principalmente, os baixos níveis educacional e tecnológico do produtor, que muitas vezes tem servido para retardar o processo de implantação nas propriedades rurais, como também em unidades de tratamento de resíduos urbanos. Além disso, é necessário destacar que os produtores quase não possuem literatura especializada sobre o tema, como também acesso a treinamentos que poderão contribuir para a sua formação. Na Figura 1 são apresentadas os modelos  tradicionais da tecnologia de vermicompostagem no Brasil.

Figura 1 – Vermicompostagem em sistema de “Montes” (A), Canteiros simples (B) e Canteiros duplos (C).

A vermicompostagem no Estado do Paraná começou nos anos 80, porém ainda não obteve expressão, são poucos os minhocultores que conseguem se manter na atividade e, principalmente, desta. Nos anos 90, a região metropolitana de Curitiba chegou a ter mais de 30 minhocultores cadastrados na UFPR/SCA/DSEA/Laboratório de Química e Fertilidade do Solo e, atualmente, são raros os que persistem na atividade.

O cenário nacional necessita ser revisto, pois essa tecnologia representa mais uma atividade zootécnica que permite a integração de resíduos agrícolas e, principalmente, de estercos de diversos animais gerando produtos com diversos usos, promovendo a elevação da renda do produtor. Porém, só é possível essa integração com a elevação do nível tecnológico dos minhocultores.

Diante da atual situação, a oferta da disciplina AL 010 Minhocultura, aos cursos de Agronomia e Zootecnia da Universidade Federal do Paraná, é uma das poucas propostas nas instituições superior do país que tem como finalidade investir na divulgação desses conhecimentos, com o intuito de ampliar a formação dos estudantes e torna-los agentes multiplicadores da tecnologia.

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