Produtos derivados e aplicações

1 Introdução

A vermicompostagem, assim como a minhocultura estão em plena ascensão, sendo difundidas e praticadas em praticamente todos os continentes. Dessa forma, a cada dia novas possibilidades de obtenção de derivados do vermicomposto e das minhocas surgem no mercado.

2 Produtos

Do vermicomposto, vários subprodutos são derivados, entre eles substâncias húmicas e ácido húmico, como também possuem diferentes formas de utilização: peletizado e na forma líquida, como fertilizante e no controle de doenças e pragas das culturas. A Figura 1 apresenta os produtos derivados da vermicompostagem relacionados ao vermicomposto ou húmus de minhoca.

Figura 1 – Produtos, derivados e aplicações da tecnologia de vermicompostagem

 2.1 Vermicomposto ou húmus de minhoca

Insumo com registro no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento —MAPA, Instrução Normativa 25/2009 (BRASIL, 2009) —, definido como produto resultante da digestão pelas minhocas, da matéria orgânica proveniente de estercos, restos vegetais e outros resíduos orgânicos, atendendo aos parâmetros estabelecidos no Anexo III e aos limites máximos estabelecidos para contaminantes químicos e biológicos estabelecidos no MAPA — Instrução Normativa 27/2006 (Brasil, 2006).

2.2 Vermicomposto peletizado

O processo de produção se baseia na passagem do vermicomposto numa máquina peletizadora e, posteriormente, ocorre a redução da umidade (60% a 90%) do original (Guiam, 2015), causando a desidratação e, consequentemente, concentrando os nutrientes. De acordo com o fabricante, poderá ser enriquecido com adubos minerais como o fosfato de rocha e fontes de potássio.

2.3 Produção de Adubos Organominerais

Fertilizante organomineral é definido como: produto resultante da mistura física ou combinação de fertilizantes minerais e orgânicos (Brasil, 2009), que se torna interessante em função das características de ambos.

O adubo orgânico apresenta baixas concentrações de N, P e K, ao contrário dos fertilizantes sintéticos. Porém, os fertilizantes orgânicos, além de conterem micronutrientes, atuam como condicionadores do solo, elevando a retenção de água e a capacidade de troca de cátions, como também o potencial de quelação de elementos tóxicos, comum em solos ácidos.

2.4 Chá de Vermicomposto ou Húmus Líquido

O chá de vermicomposto, ou húmus líquido, é obtido pela dissolução em água, normalmente na proporção de 1:5 ou 1:10 (m/m), respectivamente, vermicomposto e água e pode ser produzido com ou sem aeração.

Pode conter moléculas orgânicas e inorgânicas solúveis, tais como substâncias húmicas e grande número de organismos, incluindo bactérias, fungos e protozoários que podem promover o crescimento vigoroso e saudável de várias culturas, reduzindo o uso de produtos químicos para controlar doenças de plantas, nematoides e insetos.

2.5 Substratos para Produção de Mudas e Outras

No processo de beneficiamento do vermicomposto, é uma consequência natural a formação de rejeito, ou seja, a retenção de parte do vermicomposto, na forma de grumos, nas peneiras. Esse material pode ser misturado com resíduos vegetais semidecompostos e húmus, em proporções variáveis, recebendo a denominação de substrato, que pode ser usado para pteridófitas (samambaias, avenca, cavalinha, entre outras).

 2.6 Substâncias Húmicas (SH)

Produto da intensa transformação dos resíduos orgânicos pela biomassa microbiana e polimerização dos compostos orgânicos (principalmente por intermédio de reações de condensação, demetilação e oxidação) até macromoléculas resistentes à degradação biológica, são denominadas de substâncias húmicas.

A produção de hormônios vegetais naturais (auxinas, citoquininas e giberelinas) que podem afetar positivamente os mecanismos fisiológicos do desenvolvimento vegetal são estimulados pela presença de SH.

2.7 Ácido Húmico (AH)

O AH é o principal componente das substâncias húmicas, presente no vermicomposto e em compostos orgânicos, sendo assim, é comercializado como bioestimulante vegetal.

Oliveira et al. (2019) observaram que o emprego de doses de ácido húmico no tratamento de sementes de milho promoveu maior desenvolvimento inicial das raízes até a dose de 8,97 mL kg-1 de ácido húmico, refletindo em aumento no acúmulo de massa seca radicular e a aplicação de Bacillus subitilis, nas doses testadas, na dose de 300 mL 50 kg-1, não apresentou influência nas características avaliadas.

2.8 Lixiviado

O lixiviado apresenta concentrações variáveis de matéria orgânica dissolvida e dos demais nutrientes, podendo apresentar fornecimento adequado de N, P e, principalmente, K. Porém, antes da aplicação, é importante avaliar a condutividade elétrica, para assegurar que possui níveis aceitáveis e evitar a queima de folhas. Sendo assim, normalmente, recomenda-se a diluição em água na proporção 1:5 ou 1:10 (v/v), respectivamente, lixiviado e água, e aplicação via foliar.

3 Minhocas

No processo de vermicompostagem, em sistemas tradicionais, tem-se como consequência natural o aumento da população de minhocas, o que precisa ser contido de forma correta, para evitar a inviabilidade do projeto, seja pela falta de material orgânico, seja pela insuficiência de espaço físico. Dessa forma, ao longo dos anos, foram desenvolvidas formas de utilização do excedente de minhocas, o que tem agregado renda ao produtor rural. A Figura 2 apresenta o potencial de utilização das minhocas e produtos derivados.

Figura 2 – Minhocas, usos e produtos derivados da vermicompostagem

 

3.1 Matrizes de Minhocas

São animais saudáveis, maduros — com clitelo desenvolvido —, que atingiram a maturidade sexual há pouco tempo, apresentam máximas atividades reprodutiva e decompositora.

3.2 Farinha de Minhoca

Entre as alternativas de utilização das minhocas, a que mais cresceu foi a produção de farinha, devido ao seu alto valor proteico (50 a 70%), fonte de vitaminas e grande concentração de ferro. Pode ser destinada à alimentação de animais domésticos e também na alimentação humana, como ocorre em alguns países da América Latina e Caribe.

 3.3 Minhocas Vivas para Pesca

O comércio de minhocas como isca para peixes de água doce e salgada está em desenvolvimento no país. Entre as espécies comerciais, a que tem sido mais aceita e comercializada é a gigante africana (Eudrilus eugeniae), na fase adulta ≥ 10 cm de comprimento e que representa uma alternativa de grande importância para a preservação das minhocas gigantes brasileiras, denominadas de minhocoçus, que sofrem grande pressão na época da pesca nos rios do Pantanal e da região centro-oeste.

3.4 Minhocas Desidratadas

O processo de obtenção consiste na eliminação do líquido celomático, por exposição das minhocas ao calor ou frio (liofilização). Depois do processo, a umidade é reduzida para < 15% (Frazier e Westhoff, 1993), o que dificulta o desenvolvimento de fungos e bactérias e aumenta o tempo de preservação. Pode ser ofertada a diversos animais: aves, mamíferos, répteis, peixes ornamentais e anfíbios.

3.5 Casulos de Minhocas

É um involucro, ou seja, uma cápsula que protege ovos, embriões e minhocas jovens, pois evita o ataque de predadores, mantém a umidade e fornece albumina, que é o alimento inicial para as minhocas recém-nascidas. É uma estrutura de reprodução e resistência ao dessecamento e ao manuseio, consequentemente mais fácil para ser transportado.

O comércio de casulos das principais espécies utilizadas em vermicompostagem é uma realidade no país, e representa uma alternativa para obtenção de matrizes, quando se pretende iniciar o processo, independente da finalidade, se é para produção de húmus, farinha de minhoca, isca para pesca ou alimentação de animais domésticos.

3.6 Utilização na Indústria Farmacêutica e na Medicina

Dentre os usos, destaca-se o anticoagulante “Lumbroquinase”, classificado como uma enzima fibrinolítica — substância que promove a degradação do fibrinogênio, uma proteína envolvida na coagulação do sangue —, que oferece benefícios à saúde, incluindo a prevenção de derrame e o tratamento da angina (Wong, 2017).

3.7 Líquido Celomático

O esqueleto hidrostático das minhocas é representado pelo líquido celomático, que cobre os órgãos internos. Devido ao seu grande potencial como antibiótico natural, tem sido objeto de diversas pesquisas no controle de microrganismos patogênicos humanos e de vegetais, como também no controle de nematoides fitopatógenos.

Referências

Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa SDA n. 25, de 23 de julho de 2009. Aprova as normas sobre as especificações e as garantias, as tolerâncias, o registro, a embalagem e a rotulagem dos fertilizantes orgânicos simples, mistos, compostos, organominerais e biofertilizantes destinados à agricultura. Diário Oficial da União, Brasília, 28 jul. 2009. Seção 1, p. 20.

Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa SDA n. 27, de 05 de junho de 2006. Dispõe sobre a importação ou comercialização, para produção, de fertilizantes, corretivos, inoculantes e biofertilizantes. Diário Oficial da União, Brasília, 9 jun. 2006. Seção 1, p. 15.

Frazier, W.; Westhoff. D. Microbiología de los alimentos. 4. ed. Zaragoza: Editorial Acribia, 1993.

Guiam, B. V. Exploring organic fertilizers in pellet form. Bar Digest, Quezon City, v. 17, n. 3, 2015.

Oliveira, L. C. A.; Yamashita, O, M.; Maia; R., V.; Moreira. E. S.; Oliveira, J. C. de; Rocha Filho, J. A. de; Medeiros, T. R. de. Doses de ácido húmico e Bacillus subitilis na germinação e vigor de sementes de milho. 2019. Disponível em: https://maissoja.com.br/doses-de-acido-humico-e-bacillus-subitilis-na-germinacao-e-vigor-de-sementes-de-milho.

Wong, C. The health benefits of lumbrokinase can earthworm enzyme prevent heart attack and stroke? Very Well Health, New York, 2019.

 

 

 

 

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